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20 de dezembro de 2010

Mãos desocupadas

 Descobri faz algum tempo que as mãos se opõem à cabeça, e quando você movimenta aquelas, esta pode parar. Não sei se é uma grande descoberta, talvez não, mas de qualquer forma gosto quando a cabeça pára o maior tempo possível, caso contrário enche-se de temores, suspeitas, desejos, memórias e todas essas inutilidades que as cabeças guardam para deixar vir à tona quando as mãos estão desocupadas. (Caio. F de Abreu)”

- Sabe que horas são aqui no meu quarto, na minha noite, em minha vida? Bem, são quinze para as três da manhã, é que a ausência do sono tem frequentado muito as minhas noites e os meus dias também. Durante o dia é fácil de lidar, nele tem sempre algo disponível para manter minhas mãos ocupadas, mas durante a noite as coisas complicam um pouco, quase sempre o que sobra nas noites em claro é uma mente vazia; aquela do tipo que passa horas com a luz acesa ou apagada, tanto faz, só olhando pro nada, não sentindo nada. Caso a mente não esteja vazia o que resta é aquele velho caderno preto, e uma caneta também preta que uso pra “descartar pensamentos”. Essa noite tudo o que me restou foram os últimos.
 - Sabe que dia é hoje? O dia eu confesso que também não recordo ao certo, tenho dito ando meio vazia, mas hoje tem exatamente uma semana. Uma semana, daquela conversa dolorosa na qual eu não sei bem quem saiu daquele local (...) que já rendeu várias boas recordações (...), profundamente magoado e completamente perdido um do outro e diferente de algumas vezes não sabendo mais se conseguiriam encontra-se novamente em afeto, “explicito” ou “privado” como conseguiram algumas outras vezes. Cada dia é realmente muito doloroso quando existe uma partida, ou quem sabe apenas uma “viagem distante”, não importa a denominação, não agora. O fato é que dói, mas talvez se doa com tanta intensidade é porque ainda há algo puro no meio de toda essa confusão.
 - Dói aí desse lado? Quem sabe! Eu poderia ter certeza disso nesse exato momento, mas preferi não ver sua dor, para que não doesse mais ainda em mim, é que te ver sofrer me faz sofrer, me faz desejar estar ao seu lado pra cuidar, pra tentar amenizar sua dor, só te olhar e te ver sorrir de verdade, sem clichês e caso isso acontecesse falaríamos mais uma vez. Vai ver eu seja realmente como você me disse uma vez: não tem alguém mais delicada que eu não! Com toda essa delicadeza que você consegue ver em mim, eu me dirigi sempre a você, algumas vezes me magoando para evitar te magoar, aquela coisa que não julgo idiota: quem ama cuida, protege, defende em toda e qualquer circunstância, com delicadeza escrevo, sobre a dor que anestesia cada vez mais alguns ressentimentos pendentes. Eu poderia xingar você, só que estou apenas colocando pra fora da mente algumas coisas, é algo a menos pra eu temer, desejar, uma memória a menos pra próxima noite em claro.

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